Ainda na vibe do post antigo, continuo achando incrível os momentos que nos são propiciados para “abrir a cabeça”. Incrível mesmo. Expandir horizontes.
Depois de escutar Felipe Hirsch ao longo do final de semana e ontem, a mente de nós, reles mortais, se expande de uma maneira incrível.
E são tantas coisas incríveis. Tantas informações que saltam do cérebro e escorrem pelos olhos que chega a ser assustador!
Mas o motivo de meu post não é pra falar sobre esta genialidade. Ainda tenho que comer muito arroz com feijão pra falar qualquer coisa sobre ele, sobre sua arte, sobre tudo que foi dito nas doze horas culturais…
A razão primeira e egoísta deste meu post é extravasar toda a indignação (que não deveria ser tão chocante atualmente) sobre as pessoas que habitam e ensinam neste país.
Lá pelas tantas, uma senhora doutora ** (veja bem, não sei seu nome. Honestamente não quero saber. E mesmo se soubesse, meu constrangimento é tamanho que jamais a citaria publicamente)** de uma universidade federal ao discutir com Felipe sobre peças realizadas em Londres e a dificuldade em conseguir ingressos (em função de seu sucesso), soltou a seguinte pérola:
“Por que você não diz que é deficiente, usa uma cadeira de rodas… eles dão o ingresso na hora. E você não paga (…) Se eles forem conferir depois você diz que é brasileiro e fica tudo certo“.
Fico me questionando… eu! Cidadã brasileira, que não tenho nem 1/10 do patriotismo nas veias que a geração anterior à minha tem, que luto pra conseguir me desenvolver enquanto ser humano nesse mundo totalmente caótico, e que, definitivamente, estou longe de ter o repertório que uma pessoa que se diz DOUTORA tem, já me sinto constrangida em gênero, número e grau!
Coitado do Felipe Hirsch! Coitada de mim! E das outras pessoas que se entreolharam de maneira constrangedora após este comentário muito, muito infeliz.
Pensar que o meu país conta com pessoas deste nível de caráter, falta de ética, valores e vergonha na cara faz com que meu parco patriotismo se rasgue em tiras finas e frágeis.
Que D’us permita que os alunos que passarem por esta Doutora Coisa sejam fortes o suficiente para não se enojarem da arte, do mundo e da vida!
Antiquado de minha parte escrever este post?
Talvez…
Mas me enoja. E ao escrever sobre isto fico na esperança de talvez, poder contar com alguns pares de olhos que pensem como eu. Que sintam como eu. E que tentem fazer alguma diferença. Assim como eu.
Boa sequência de semana proceis!